Tendências 2026: como lideranças podem se preparar para o novo superciclo tecnológico
Entenda como essas transformações impactam organizações e estratégias de gestão
O mundo que os gestores enfrentarão em 2026 será marcado por mais fluidez, instantaneidade e interdependência. Segundo Sabina Deweik, futurista, pesquisadora de tendências e professora convidada da Fundação Dom Cabral (FDC), ficou evidente que as transformações tecnológicas e comportamentais não são apenas aceleradas. Elas redefinem como as organizações aprendem, inovam e constroem futuro. Conceitos como “modernidade gasosa”, superciclo tecnológico e a emergência da Geração T (geração de transição) ajudam a explicar por que o período exige novas formas de liderança, estratégia e leitura de contexto.
Um dos conceitos-chave apresentados por Sabina em webinar sobre tendências para 2026 é o da modernidade gasosa, uma metáfora para um tempo em que estruturas rígidas cedem lugar a relações mais móveis, efêmeras e conectadas. Nesse ambiente, tudo se move mais rápido: fronteiras entre físico e digital, limites entre vida pessoal e profissional, ciclos de produtos, carreiras e competências.
Para gestores, isso implica revisitar premissas estratégicas: organizações que operam com lógica de estabilidade tendem a perder relevância em contextos que exigem adaptação contínua, experimentação e leitura dinâmica de cenários.
O superciclo tecnológico e a inteligência artificial como vetor estrutural
Outro eixo central da conversa foi o superciclo tecnológico, período em que múltiplas tecnologias amadurecem simultaneamente e se reforçam entre si. Entre os vetores mais citados para 2026 estão:
- IA aplicada ao trabalho e às decisões
- Automação e aumento de produtividade
- Convergência entre dados, algoritmos e novas interfaces
- Expansão de tecnologias imersivas e experimentação digital
- Evolução de biotecnologia e nanotecnologia em cadeias produtivas
Para Sabina, mais do que substituir tarefas, a IA tende a reconfigurar o papel humano nas organizações, deslocando o foco para julgamento, contexto, ética, criatividade e colaboração interdisciplinar. “Não estamos mais diante de uma única tecnologia, mas de uma fusão entre várias delas. As transformações passam a se propagar como partículas, atravessando diferentes campos ao mesmo tempo. O eixo dessa nova dinâmica é a evaporação, um movimento que todos já sentimos no trabalho, no consumo e nas relações. No centro desse processo está o superciclo tecnológico, impulsionado pela Inteligência Artificial”, completou.
Para gestores, o desafio não é apenas adotar ferramentas, mas redefinir processos, métricas e modelos de aprendizagem organizacional.
A ascensão da Geração T: novos códigos culturais e de consumo
Outro destaque é a emergência da chamada Geração T, formada por adolescentes que crescem inteiramente conectados, moldando repertórios culturais, formas de consumo, modos de aprender e de se relacionar com marcas e instituições.
Segundo Sabina, trata-se de uma geração que opera intuitivamente em ecossistemas digitais, valoriza experiências rápidas, visuais e interativas, além de tensionar modelos tradicionais de educação e trabalho.
A dica da futurista para as organizações é compreender que a Geração T não é apenas um recorte etário: “antecipar mudanças de linguagem, propósito e expectativa de valor que tendem a influenciar mercados e agendas estratégicas até, e além, de 2026, é fundamental”, apontou a futurista.
Tendências para 2026: o que muda na gestão e na tomada de decisão
Do ponto de vista de liderança, as tendências apontam para quatro movimentos prioritários.
1) Estratégia como processo contínuo
Planejamentos estáticos cedem espaço a ciclos curtos de revisão, aprendizado e reorientação.
2) Competências digitais ampliadas
Não só técnicas, mas cognitivas, colaborativas e analíticas, com gestores atuando como tradutores entre tecnologia e negócio.
3) Cultura de experimentação responsável
Prototipagem, testes e inovação incremental, acompanhados de critérios éticos e de impacto social.
4) Visão de futuro orientada a oportunidades
Mais que reagir ao risco, líderes passam a cultivar futuros possíveis, conectando tendências a decisões estratégicas presentes.
Para Sabina, o futuro não é um ponto distante: ele já influencia decisões de hoje. “Em um contexto marcado por fluidez, aceleração tecnológica e novos comportamentos sociais, organizações que desenvolvem capacidade de leitura de mundo, adaptação e aprendizagem contínua ampliam suas chances de relevância”, acrescentou.
A dica da futurista para os gestores é: “o ano de 2026 se apresenta menos como uma data-marco e mais como um ponto de inflexão, no qual tecnologia, cultura e estratégia convergem para redefinir o que significa liderar em um mundo em transformação. É uma jornada para desenvolver novas lentes de futuro, mais humanas, criativas e regenerativas. Porque o futuro não é um lugar ao qual chegamos, mas algo que co-criamos a cada decisão. E 2026 será o ano de quem souber unir tecnologia e humanidade, estratégia e sensibilidade, visão e ação”, finalizou.
Fonte: sejarelevante.fdc.org.br
