Após verificar desempenho negativo durante 25 meses consecutivos, o faturamento das MPEs (Micro e Pequenas Empresas) do Grande ABC voltou a registrar crescimento em fevereiro, com R$ 1,84 bilhão em caixa. Já nos primeiros 31 dias do ano, os estabelecimentos das sete cidades acumularam R$ 1,78 bilhão Ou seja, houve alta real (descontada a inflação) de 3,4% e incremento de R$ 61,4 milhões. É o que aponta levantamento do Sebrae-SP.

É válido ressaltar que, neste período de pouco mais de dois anos, as MPEs perderam R$ 10,84 bilhões em vendas. Para se ter ideia do quanto isso representa, o montante equivale a aproximadamente o PIB (Produto Interno Bruto) de Andorra (US$ 3,24 bilhões – considerando o dólar a R$ 3,26), na Europa, e supera a geração de riquezas do Estado de Roraima (R$ 9,7 bilhões).

Para o consultor do Sebrae-SP Pedro Gonçalves, o fraco desempenho apresentado em janeiro é uma sazonalidade, e favorece o aumento das vendas em fevereiro. “É um mês marcado pelo pagamento das despesas de fim de ano e outras contas, como a matrícula da escola dos filhos”. Mesmo assim, em dezembro se esperava alta sobre novembro, o que não ocorreu. Na avaliação do economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, o resultado verificado em fevereiro é pontual e não indica tendência para o restante do ano. “Os efeitos da crise ainda vão perdurar por um bom tempo”, explica.

Tanto que, no primeiro bimestre, entretanto, apesar da alta em fevereiro, houve queda de 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que, em números, significou perda de R$ 498,1 milhões.

Na comparação de fevereiro com o segundo mês de 2016, a queda é mais acentuada, de 16,2%, com redução de R$ 356,1 milhões nos caixas das pequenas firmas da região. No mesmo período, o faturamento das MPEs de outras regiões paulistas apresentou quedas menores do que no Grande ABC: São Paulo (-0,4%), Interior (-0,5%) e Região Metropolitana (-6%). Questionado, Gonçalves atribui o pior desempenho das sete cidades ao setor da indústria, um dos mais afetados pela crise, e fortemente presente na região. “Apesar de uma leve retomada na economia, ela (indústria) sempre demora a retornar a crescer porque precisa de investimento, e isso costuma demandar tempo.”

PANORAMA – O cenário já complicado foi abalado a partir da delação de um dos proprietários do frigorífico JBS, Joesley Batista. No dia 17, vazou à imprensa a denúncia de gravação do presidente Michel Temer (PMDB) dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), que atualmente está preso em Curitiba (Paraná). “É péssimo para as MPEs porque o Copom (Comitê de Política Monetária), em um ato mais conservador, como a redução simbólica da taxa de juros, atrasa a retomada e dificulta o crédito”, comentou Balistiero. Ontem, conforme o boletim Focus, do Banco Central, após o escândalo, o mercado projeta para 2017 alta da inflação (de 3,92% para 3,95%), do dólar (de R$ 3,23 para R$ 3,25) e queda do PIB (de 0,5% para 0,49%). A Selic foi mantida em 8,5% ao ano.

As pequenas firmas dependem diretamente do consumidor final e também dos pedidos das empresas de maior porte, os quais, enquanto durarem as incertezas, continuarão com o pé no freio do consumo. “A recuperação será ainda mais lenta”, concordou Gonçalves. Segundo a pesquisa, 48% do empresariado acredita em manutenção do faturamento, enquanto 39% esperam melhora da receita. “Com o agravamento da crise, os resultados de fevereiro certamente sofrerão mudanças”, disse Balistiero. 

Fonte: Diário Do Grande ABC.

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