A crise mudou a forma de a população consumir. Segundo especialistas, depois de um longo período de recessão, as pessoas estão mais exigentes e passaram a buscar produtos com qualidade e que ofereçam o melhor custo-benefício.

“Durante a crise, as escolhas mudam conforme o tipo de categoria. Há consumidores que reduziram as compras, trocaram de marca, preferiram embalagens menores ou maiores. Quando a gente começa a ver alguns sinais de recuperação e otimismo da economia, a probabilidade de aumento de emprego e renda e, consequentemente, mais pessoas com mais dinheiro no bolso, a tendência é o consumo aumentar”, diz Antonio Sá, professor da pós-graduação da FAAP (Faculdade Armando Alvares Penteado) e especialista em varejo.

De acordo com Alan Kuhar, professor de marketing e varejo da ESPM, é comum depois de um período de recessão, o consumidor voltar a adquirir itens que deixou de comprar durante o período de recessão. Por isso os setores de beleza e de saúde deverão estar em alta.

Gustavo Gobbato, professor e coordenador da pós-graduação em gestão de marketing & inteligência de mercado da FAAP de São José dos Campos, a onda da saudabilidade vai afetar também o mix de produtos que serão comercializados no varejo.

Veja as tendências apontadas pelos especialistas:

Mix deve ser amplo e produtos devem detalhar informações

A onda da saudabilidade vai afetar também o mix de produtos que serão comercializados no varejo. É possível oferecer sempre opções de itens saudáveis e que valorizem o bem-estar. O consumidor está mais exigente, por isso, é preciso trazer informações sobre os produtos. “É possível checar tudo pelo celular, por isso, o consumidor está mais informado e mais exigente. A empresa deve cumprir a legislação e especificar qual é a composição do produto para auxiliar os alérgicos”, orienta Gobbato.

Cosméticos, beleza, eletrônicos e pets estarão em alta

O setor de cosméticos e beleza deverão continuar fortes, assim como os eletrônicos. “Tudo o que prover acesso digital estará em alta. Eletrônicos, celular, smartphone, smartwatch, enfim, produtos que sejam conectados também serão tendência.

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) existem mais cachorros do que crianças no Brasil. Enquanto a população de cachorros foi estimada em 52,2 milhões, em 2013, ano do levantamento, a de crianças entre O e 14 anos girava em torno de 44,9 milhões.

“O comércio que contemplar o pet e deixa-lo mais presente na vida do dono ganhará pontos com o consumidor”, estima Gobbato.

Custo-benefício será mais valorizado

Por causa do período de recessão, a previsão dos especialistas é que a população seja mais criteriosa em relação ao custo-benefício dos produtos.

“O premium precisa entregar o benefício no nível que o consumidor espera. Se ele não perceber nenhum valor agregado, vai comprar o produto apenas uma vez e multiplicar essa má experiência”, afirma Gobbato.

Modelos de recorrência ganharão cada vez mais espaço

As empresas de modelo de recorrência estão ganhando cada vez mais destaque nos últimos anos. A Smart Fit (rede de academias) eNetflix (provedora global de filmes e séries de televisão via streaming), por exemplo, oferecem custo baixo para quem quer fazer atividade física ou ter entretenimento, mas exigem m pagamento mensal. “De repente, o varejo precisa entregar formas de produzir essas recorrências para criar uma receita nova fixa todo mês e ficar menos dependente de uma data do varejo”, ressalta Gobbato.

Produtos esquecidos voltarão à tona

De acordo com Kuhar, é comum em todo o ciclo de crise, o consumidor voltar a adquirir itens que deixou de comprar durante o período de recessão.
“Em época de crise, a compra de roupas, xampu e condicionar ficam para segundo plano, assim como artigos de supermercado como iogurtes, por exemplo. Agora, com a estabilidade econômica, esses itens voltam para a cesta

Procura por serviços tende a crescer

O professor da ESPM também destaca que haverá um retorno de clientes nos salões de beleza, lavanderias e os varejistas precisam se preparar para ampliar seu portfólio de produtos. “Em tempos de recessão, o varejo diminui o mix de produtos, se ele trabalhava com 10 ou 12, passa a oferecer apenas 5 ou 6. Com o retorno do aquecimento, a margem deve voltar ao normal”, explica.

Por Márcia Rodrigues, Newtrade

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