Saudabilidade é a palavra da vez quando o assunto é alimentação, seja ela feita em casa, nos restaurantes ou mesmo processados pela  indústria. E para quem imagina que se trata de modismo é bom fica atento porque estamos diante de uma forte tendência de consumo, tanto que, em outubro, durante o SIAL Paris – um dos maiores e mais importantes eventos de alimentação do mundo – o tema saudabilidade não saiu da pauta, tanto nos estandes e na apresentação de produtos como também nas discussões em torno dos rumos da indústria alimentícia, dos novos hábitos e necessidades do consumidor.

Assim sendo, o Brasil segue a tendência de crescimento mundial para o consumo de produtos naturais com apelo funcional, orgânico e minimamente processados. “As indústrias tradicionais estão buscando adequar os seus portfólios de produtos e várias outras estão surgindo exclusivamente para atender a demanda crescente dos consumidores que adotaram um estilo de vida mais saudável. Boa parte da população já se alimenta melhor, inserindo no cardápio comida “de verdade”, de alto valor nutricional e com apelo funcional”, comenta o presidente da Copra Alimentos, Hélcio de Oliveira. Para ele, a população está sendo estimulada ao consumo consciente dos alimentos, a entender os benefícios funcionais e a promover mudanças nos hábitos.

“A preocupação com a saúde e o bem-estar, além da busca por alimentos provenientes de sistemas de produção mais sustentáveis, como os métodos orgânicos de produção e alimentos funcionais que produzem efeitos benéficos à saúde, além de suas funções nutricionais”, afirma Oliveira.

De acordo com a Euromonitor Internacional, até o ano de 2021, o mercado de alimentação saudável no Brasil deve crescer, em média, 4,41% por ano. “Só no ano de 2016, por exemplo, foram movimentados cerca de 93 bilhões em vendas. O Brasil ficou na 5ª posição do ranking dos países mais importantes para o setor. E tudo isso reforça que, sem dúvidas, essa é uma área excelente para se abrir um novo negócio e investir sem medo”, afirma o CEO da Jasmine Alimentos, Jean-Baptiste Cordon. Para Cordon, o mercado vem se consolidado e crescendo cada vez mais.  “Os números são animadores e, como já mencionado, deve crescer em média 4,41% ao ano, o que é um número bem expressivo”, completa.

A busca por alimentos funcionais e livres de glúten também vem crescendo muito e se antes, apenas pessoas que não podiam consumir glúten faziam a dieta especial, hoje, até as que não são intolerantes estão adeptos a esse tipo de dieta. “No Brasil, esse mercado cresceu 98% entre 2009 e 2014 e no ano passado foram mais de R$ 93 bilhões movimentados, segundo o Sebrae. Em média, o país está tendo um crescimento de 4,4%”, diz Luís Augusto Barcelos Krause, diretor Comercial da Josapar. Ainda de acordo com Krause, o Brasil é o quinto país no ranking dos mais importantes para este setor. Um dos motivos é a questão da doença celíaca, onde a pessoa não pode consumir nada de glúten, podendo levar até a morte. “Segundo o Conselho Nacional de Saúde, há dois milhões de pessoas no país que são afetadas por essa doença”, comenta Krause.

Espaço para crescer

O crescente número de lojas especializadas em produtos naturais e a abertura de espaço na gôndola ou mesmo a criação de áreas especiais para esse tipo de produto nos supermercados mostram que varejo brasileiro está apostando nesse novo mercado. “Apesar disso, há muito espaço para crescer ainda, o consumidor brasileiro está sedento por novidades nesse setor, e disposto a pagar um pouco mais pelo produto, desde que seja percebido e real, o valor agregado”, comenta David Oliveira, diretor de marketing da Superbom. Segundo ele, um dos fatores que vem impulsionando esse mercado é o aumento de adeptos a hábitos alimentares vegetarianos e veganos. “Segundo a pesquisa Ibope de maio deste ano, esse grupo já ultrapassa a marca de 30 milhões de brasileiros”, afirma.

Com esse crescimento confirmado, novas marcas produtos e categorias acompanham essa mudança. “Hoje praticamente todas as grandes multinacionais de alimentos têm marcas nesse segmento. Isso mostra o grande interesse em trabalhar com esse tipo de produto, mas ainda há muito espaço”, comenta Alexandra Cassoni, diretora Geral da Flormel. Ela ainda acrescenta que o hábito do consumidor mudou inclusive no que se refere à busca de informações sobre os produtos. “As pessoas passaram a ler os rótulos das embalagens e deixar de consumir determinados produtos ou ingredientes por achar que não são saudáveis. O consumidor quer ter um alimento que traga funcionalidade e valor nutricional”, afirma.

Distribuição

Se o consumo é crescente ainda há espaço para aumentar os pontos de distribuição dos produtos. “Em pleno 2018 ainda temos grandes redes que não dedicaram um espaço para produtos funcionais e orgânicos. Em relação ao atacado distribuidor vemos que muitos distribuidores, nacionais e regionais, vêm percebendo e acompanhando o crescimento desse mercado, reconhecendo a importância de ter esses produtos em suas lojas”, acrescenta Krause. Ele ainda diz que criar criar  setores exclusivos dentro das lojas com produtos livres de glúten, lactose, açúcar e orgânicos é um caminho para ampliar a participação desses produtos no mix trabalhado.

Na opinião de David Oliveira, da Superbom, apesar do atacado distribuidor estar mais atento a esse nicho ainda falta um pouco de conhecimento desse mercado e dos hábitos de consumo por parte dos compradores dessas redes, para compor um bom mix de produtos à dispor aos seus consumidores. “Outro ponto importantíssimo que os supermercados já se anteciparam aos atacadistas e distribuidores é a setorização de corredores ou áreas de alimentos saudáveis, isso ajuda na identificação dos consumidores, e aumenta o potencial de vendas. Por isso, acreditamos que o setor atacadista precisa buscar mais informações sobre esse público e o tamanho da fatia de mercado que o mesmo representa. Além disso, precisa abrir mais espaço nas lojas para esse segmento de produtos e ampliar o mix de produtos para seus clientes”, finaliza.

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